O cliente nos enxerga como nos expomos a ele. Só que a
postura que assumimos como empresa pode beneficiar ou denegrir todo o setor de
reparação automotiva independente
Normalmente o reparador, quando
questionado sobre sua organização, diz em alto e bom som que a melhor prestação
de serviço que ele conhece está ali, na sua empresa. Ele alega que tem muitos
anos de experiência, a oficina dele se preocupa com o meio ambiente, que os
empregados têm treinamentos especializados, certificações e os melhores
equipamentos do mercado. Só que, na hora de vender todo esse aparato, esse
profissional acaba por oferecer para o cliente o preço como grande
atrativo.
Isso é uma incoerência. É de conhecimento de todos que nenhum
desses diferencias é gratuito. Tudo isso é investimento alto. Logo, se realmente
temos todos esses “argumentos”, nosso preço sempre será um pouco maior do que o
cobrado por estabelecimentos que não utilizam os mesmos recursos.
Encontrei, nos diversos lugares onde tive a oportunidade de visitar e
participar de reuniões, inúmeros empresários do setor, muito preocupados em
resolver o problema financeiro do cliente. A preocupação mostra que precisamos
rever o nosso foco. Qual é realmente o objetivo da nossa empresa? Somos
prestadores de serviços ou entidade filantrópica?
Sei que o mercado hoje
pede menores preços, mas não se enganem. O consumidor não rejeita a qualidade. A
prestação de serviço é medida ao longo do tempo.
Nós, reparadores,
precisamos nos lembrar que somos formadores de opinião. Se o nosso discurso
estiver distante da prática, certamente teremos problemas de credibilidade. A
informação hoje viaja muito mais rapidamente que em outras épocas. Aquela
conversa de que o consumidor não entende, que não quer gastar ou prefere andar
até o veículo parar, só é verdadeira para aqueles que foram mal orientados. Toda
vez que um cliente pedir para um reparador fazer uma “gambiarra” e for atendido,
tenha a certeza de que o rótulo de “quebra-galho” estará sendo aplicado a esse
profissional. Em contrapartida, quando o mesmo consumidor tiver recursos para
executar o serviço adequadamente, irá procurar uma empresa prestadora de
serviços idônea, que trabalhe com procedimentos padronizados (normas
técnicas).
Percebam que passamos por um momento de progresso. A evolução
tecnológica tem sido muito grande e, às vezes, até difícil de acompanhar. Novos
conceitos são jogados quase que diariamente para dentro de nossas empresas. A
competitividade tem se acirrado a cada momento e exige de nós, administradores,
mais criatividade para satisfazer o verdadeiro dono do nosso negócio, o
cliente.
Nesse sentido, o que é que você, amigo reparador, está fazendo
para mudar o quadro caótico do nosso setor? Eu, com muita satisfação, passei a
segunda-feira de Carnaval falando e aplicando esses conceitos para o Núcleo de
Automecânicos de Tangará da Serra, uma simpática e acolhedora cidade que fica à
250 km de Cuiabá, Mato Grosso. Lá estão alguns participantes dessa verdadeira
revolução silenciosa, o Projeto Empreender, presente em 800 municípios. Vamos
cada um fazer a parte que nos cabe?
Artigo elaborado por Elvis Charley
Ludwig, proprietário da oficina Prevencar e coordenador do Núcleo Estadual de
Automecânicas de Santa Catarina (NEA).